No calor da madrugada




Quando chegar a madrugada
e meu corpo em ti buscar o amor
vou desenhar-me em tua pele
e antes que a manhã se revele
sorverei o teu sabor
seremos além de amantes
comandados
comandantes
a caça e o caçador

Quando chegar a madrugada
vou salpicar de estrelas
teu suor sobre o lençol
e em suave melodia
no encontro da noite com o dia
serei a lua
e tu, o sol

Amor antigo



Se insistes em me amar,
não espera que eu te ame
com a mesma intensidade
Não... não é maldade
apenas minha dor ainda é latente
(amor antigo não se esquece de repente)
amor ferido não se espalha como vento
Se queres minha alma sem lamento
segura com carinho a minha mão
não se acalma um coração tão dolorido
não se sopra como bolha de sabão
se esperas que eu me faça apenas tua
me provoca, me atiça, te insinua
me mostra que a paixão não tem escolha
me enlaça, me abraça, me seduz
assim, conduz liberto o meu corpo
me faz teu mar, teu céu, me faz teu porto
teu suspiro, um sorriso, tua luz

Tua ausência em mim




sinto falta de nós dois,
dos suores nos lençóis
impregnando nossa cama

sinto falta do teu corpo
dos odores misturados
ao desejo feito chama

sinto falta da tua voz
do teu beijo após o ato
da carícia, do teu tato

sinto falta da tua mão
segurando a minha mão
coração num só compasso

sinto falta do abraço
no após, o corpo lasso
aprisionando como algema

sinto falta de rimar
o teu verso com meu verso
nosso amor num só poema

Sinais secretos

te sei acariciando outro corpo
a provocar sonhos e promessas
a te abrigar em novo esconderijo

te sei amante meio sério meio louco
a arrancar suspiros em tom rouco
a tatuar tua marca feito fogo

te sei sentindo o sal de outra pele
provando o acre de outros lábios
a deliciar-se em outro beijo

te sei
e mesmo assim
deixaste aqui,
além do meu desejo,
sinais secretos
que habitaste em mim

então, esquecer-te por quê?
se a tua presença me persegue
e amando-te no silêncio de um segredo
umedeço-me na saudade que me segue?

Quero ser mais que o vento


porque fomos
por momento
antiga paixão
ternura

porque fomos
no passado
metade perdida
procura

porque fomos
por instantes
mais do que amigos
amantes

porque somos
como estranhos
razão e sentimento
lamento

quero ser mais que o vento
o depois
nós dois
fragmento

Teu beijo

esse beijo gostoso
despudorado
molhado

esse beijo sem regras
sem limites
roubado

da minha boca insaciável
da tua boca irresistível
sairá em cachoeira
como num dia de chuva
poro molhado, aguaceira

mesmo que teus lábios gastem
mesmo que a saliva seque
mesmo que eu, mulher, peque

um, dois, talvez uns três
importa ser a minha vez
de dizer eu quero mais

hoje serás o meu vassalo
quero um sem intervalo
saciar-me de ti?
jamais!

Eu faço poesia


eu faço poesia porque amo
e o amor é verso sem palavras

eu faço poesia porque rio
e o riso é a voz da alegria

eu faço poesia porque choro
e a lágrima é emoção em demasia

eu faço poesia porque em mim
além do riso, da dor e do amor
fervilha o desejo do poeta
de exorcizar as emoções até o fim

Quintana passou por aqui


Quintana passou por aqui
em mim deixou um beijo
o desejo imenso de poemar

Quintana passou por aqui
deixou um pouco de prosa
e a lua nova a me iluminar

Quintana passou por aqui
não deixou versos
só rimas novas no meu olhar

Quintana passou por aqui
passos leves, tão breves
foi-se p'ra não mais voltar

Ciclo






de alma nua
consumado o ato
palavras soltas
percorrem rimas
fertilizam versos
e a emoção
na travessia
fecunda em mim
a poesia